2004/07/31

O ano que (quase) não terminou...

2004 foi, por vários motivos, um ano marcante para mim. Sonhos, pesadelos, frustrações, descobertas, decepções, enfim...

Não foi a quantidade. O que difere os fatos desse ano dos de outros, é que não apenas muitas coisas, boas e ruins, ocorreram; de tudo o que vivi, tudo o que passei, tudo passou marcado com o carimbo da intensidade.

Foi um ano intenso. Vivido intensamente. Não foi um ano a esquecer fácil. Não é. E não será.

2003, por outro lado, foi um ano de revelações. Coisas que eu ainda não tinha percebido sobre mim, sobre o ambiente à minha volta, foram pouco a pouco aflorando; coisas que eu preferi esquecer, coisas que eu preferiria esquecer, coisas que eu deveria ter sabido antes, coisas que não fui capaz de enxergar, coisas que vou me lembrar com carinho até o fim de meus dias aqui. 2004 foi, portanto e em boa parte, desdobramento e conseqüência das revelações passadas.

É sob essa égide que noto agora a história se repetir, quatro anos mais tarde. Vejo que, se 2003 me trouxe uma nova percepção do mundo, uma grata nova perspectiva, 2007, por outro lado, veio me mostrar o quão duras foram as conseqüências da demora em sofrer esses lampejos de lucidez. E o quão duras as conseqüências do que ainda não aprendi. Coisas que vão me marcar pro resto da vida, que certamente estão causando uma mudança drástica de quem sou, como penso, como ajo.

2008, em conseqüência, me faz sentir-me como um peixe num liquidificador de  copo opaco. Na agitação, me força a usar tudo o que tenho para não ir ao fundo, e mesmo na calmaria há o terror de que alguém pode ligá-lo novamente. Ainda assim, as boas experiências me trazem o conforto de que preciso para ir tocando até que alguma alma perceba essa mixórdia e decida entornar o copo no lago, onde poderei voltar a viver em paz - ou, ao menos, em meu ambiente. E tudo, tudo neste ano tem a intensidade dos pesadelos mais envolventes, dos sonhos mais bem-vividos, das paixões com data de validade, como as de verão.

"Duras", nesse caso, não necessariamente tem conotação negativa. Às vezes, é preciso bater a cabeça na parede para perceber que esta é o último limite antes do precipício. Fico, de certa forma, contente em perceber quantos erros cometi, e quantos ainda cometeria, se não tivesse despertado. E fico feliz em ver quão numerosos os que ainda posso evitar, a partir de agora. Sim, só os fracos pensam que serem contrariados é sempre ruim.

Nada de bom se constrói sem sacrifício. E poucos sacrifícios não deixam marcas. Mas, se não podemos tornar as marcas mais bonitas, ao menos servirão para nos lembrar, com certa alegria, dos obstáculos vencidos ou das lições aprendidas.

Assim, não é sem dor, nem satisfação, que redescubro este espaço, que trabalhava já à época do primeiro choque, que de certa forma perdeu o sentido e, por outro lado, teria sido meu refúgio após essa primeira (de várias) onda de choque. Retorno a esse espaço para, num primeiro momento, registrar o que aprendi e o que produzi, e o que ainda hei de viver. E fique a data trocada, em alusão ao início de tudo.

Até o próximo futuro.

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