2008/12/13

... e o Betamax?

Volta e meia fico pensando em como as pessoas têm mania de persistir no que está na cara que não vai dar certo, só porque a idéia é boa, porque *se* der certo será uma linda história - ou seja lá que diabo seja a desculpa.

São, por exemplo, os tantos casos de mulheres que se defenestram por cafajestes irrecuperáveis, homens decentes (sim, existem) que rastejam e se fazem pisar por mulheres que nunca vão lhes dar nenhum valor, pessoas com idéias tão mirabolantes que nem sabem como colocá-las em prática, empresários que de uma hora para outra encasquetam com alguma decisão que anos depois ninguém acreditará ter havido idiota suficiente para tomá-la.

Ok, herrar é umano, diz o ditado, e mais ainda o é culpar outra pessoa, mas... e insistir no erro, seria também? Não sei, mas parece que existe um certo "padrão Betamax" no comportamento da humanidade.

Para os incautos ou recém-chegados a este mundo (ou ao menos, aos mais recentes do que essa polêmica), quando foram lançados os primeiros video-cassetes, havia dois concorrentes principais: o VHS, sistemazinho chinfrim, de qualidade questionável mas baratinho, e o Betamax, de ótima qualidade, mas que gravava metade do tempo do VHS por fita. O Betamax podia ser tudo de bom (e não era lá bem assim), mas enquanto a Sony colocava-o num pedestal e esperava que os outros pagassem o preço, o VHS atendia ao consumidor nos seguintes quesitos: era pagável e gravava um jogo inteiro de futebol numa única fita. Qualidade? De que adiantava, se 99,999% das TVs vinham cheias de chuviscos? O eterno caso do medíocre de sucesso - o topo não é para todos.

Resumindo a novela, o VHS explodiu no mundo todo, enquanto o Betamax ficou limitado a uma parcela decrescente de endinheirados (nem o cinema o adotou direito). No fim, depois de várias re-edições, a Sony acabou substituindo o nascido-morto Betamax por outros padrões mais interessantes, baratos e menos complicados, como o Hi-8 e o mini-DV.

Pois eis que, anos depois, a própria Sony lança outra novela, desta vez batizada de Playstation 3. Tem recursos e processamento fantásticos, mas peca no "básico" para um videogame: preço e disponibilidade de jogos. Novamente, o óbvio! E não poderia ser diferente: só para começar, são 8 processadores. Oito! Todos iguais aos dos PowerMacs um pouquinho antigos. É tanto processador que o aparelho se dá o luxo de usar só 7 e deixar 1 de reserva, caso algum dos outros dê problema.

Resultado: somem-se outros tantos detalhes de arquitetura, e onze entre dez fabricantes de software dizem que é um pesadelo programar pro bichinho - exceto o pessoal do Linux, que são malucos, adoram complexidade - e não chegam a estar errados nisso, mas... no fim, de que serve um videogame sem jogos? Provas disso são os picos de vendas a cada grande lançamento e a cada aumento na defasagem de (atual e declaradamente) US$ 200 entre o custo de fabricação e o preço de venda do PS3. Ainda assim, não chega a ameaçar a vantagem mundial de 3:1 do Wii, apesar de dar uma canseira na "torradeira" (literalmente) Xbox.

Por outro lado, Xbox e Wii são o lado VHS da história: enquanto os donos do chamado PS3 se descabelam para comprar seus jogos, que saem com atraso sobre o próprio atraso, Microsoft e Nintendo só faltam fazer os jogos pelas gamehouses, de tanto apoio. Além disso, o PS3 é o único ainda 100% anti-pirata. Sim, eu sei, mas continuem lendo...

Sejamos sinceros, jogo pirata existe desde o Atari, todo mundo sabe e, apesar do bafafá, ninguém dá muita bola, nem mesmo os fabricantes - exceto a Sony. Até a Nintendo, que investiu milhões para criar chips anti-pirataria na época do SNES, acabou desistindo disso; acaba sendo mais caro do que a diferença nas vendas - infelizmente, boa parcela da população mundial prefere dar US$ 4 prum pirata aUS$ 120 pruma geradora de empregos mundiais. Triste, mas infelizmente é ponto contra a Sony - fora o custo da mídia Blueray, que não pode ser repassado ao consumidor, em prol da competitividade dos títulos, o que traz óbvio desânimo às gamehouses sedentas pelo máximo de lucro em cada título vendido.

Soluções são tão diversas quanto improváveis. Liberar um PS3 com mais memória (e mais caro) para chamar os usuários de Linux? Negociar com a Apple um MacOs para PS3 e atrair os applemaniacs? Afinal, com 8 CPUs, vídeo 1080p e som 5.1, poria no chinelo a maioria dos desktops vendidos por aí; dá até para rodar um emulador de PC mais rápido que um PC de verdade... mas e se a Microsoft enxertasse Windows no Xbox? No mínimo, daria uma briga boa - inclusive com fabricantes de PCs e componentes associados (apesar de que seria divertido). Cada saída parece ter um nó de controvérsias tal que a única realmente plausível seria jogar a toalha e recomeçar do zero.

Com certeza é um sistema e tanto, até eu sinto vontade de comprar um... mas em outra falha de marketing bem à lá Betamax, a Sony ainda não trouxe oficialmente o PS3 para estes trópicos, deixando-nos à mercê de lojas que garantem os equipamentos por no máximo 6 meses. E (considerando que por aqui o PS3 também tem seus chiliques),  incerto por incerto, é melhor um que possa se fazer rodar com R$ 10 ali na feira do Paraguay (não que eu concorde com isso, repito, mas é só ir lá ver o que acontece).

No fim, são novamente reflexos de reflexos comuns, mímicas do comportamento humano. E a cada vez em que reflito sobre esses incidentes e essa mania de acreditar no incerto, ignorando o óbvio, volto a um tema que há muito me incomoda, e que citei no texto anterior, sobre a similaridade entre empresas e humanos. E fico me perguntando: qual será meu Betamax?

2008/11/29

Antes que comentem...

... sim, o leiáute está o-rrível.

eu sei.

Chamo de "versão beta". (e na verdade é mesmo)

2008/11/28

O Mundão e a lei de Gérson

É incrível como se reclama de como empresas são desumanas, como são inconseqüentes, ingratas etc., e até ao ponto de compararem-nas a psicopatas.

O mundo corporativo é, às vezes, o melhor espelho do humano, no que tem de pior: a total falta de lógica e de conexão com a (errônea) idéia de que os bons vencem, os maus (ou só ruins) perdem e a justiça divina prevalece. É o exato oposto: os realmente bons não se sobressaem, os maiores geralmente são os que melhor flertam com a linha da mediocridade e, pior, não raramente os maus ou ruins compram e acabam com os bons. Isso sempre ocorreu, mas, como sempre, empresas de tecnologia costumam ampliar esse quadro em potências de dez.

Apple, por exemplo: por anos teve o melhor conjunto computador/Sistema Operacional do mercado pessoal. No entanto, enquanto Intel e Microsoft faziam o mais desonesto para convencer o consumidor - até copiar deslavadamente as melhores características do oponente e dizer "olhem o que nós inventamos!" - a Apple sentava num pedestal e esperava que as pessoas procurassem-na - afinal, o produto dela era gritantemente melhor. E insistia em achar que bastaria, mesmo com tantos caprichos da própria empresa (assistência limitada, padrões proprietários etc.), escassez de software e preços bem maiores. Bem... deu no que deu, e hoje temos Macs com processadores Intel, mas (infelizmente) não há Mac OS para PCs. Ao perdedor, os dejetos do rei, e só.

Mais um exemplo? Creative Labs. Começou carreira copiando placas de uma outra fabricante, depois limitando-se a fazer produtos tão medíocres que eram motivo de piada... e ganhou tanto dinheiro com propagandas enganosas e produtos fajutos (mas que também eram "bonitinhos", porque copiavam os bons) que num intervalo de dois ou três anos comprou duas ótimas fabricantes de sintetizadores - e, obviamente, despachou-nas ao oblívio com "velocidade burlesca". Hoje, usa os processadores das empresas que destruiu em todas as suas placas, fazendo pequenas alterações no software e nada mais, e cobrando diferenças de preços absurdas entre produtos que são, em essência, exatamente o mesmo, exceto pelo nome e alguns bytes na memória interna.

Outro? Compaq. Sempre fez computadores fuleirinhos, pouco expansíveis e mais caros que o normal... mas eram bonitinhos. Talvez porque fossem cópias baratas (ok, nem tanto) dos Macs, mas sendo PCs bastava para venderem absurdos. Tinham uma linha pouco representativa de servidores, até que um dia abalaram o mundo comprando nada menos que uma das 3 maiores, a Digital. Obviamente, em menos de 3 anos afundaram-na de maneira inacreditável. Vítima da própria ineficiência, caiu também em bancarrota.

Bem, aqui temos uma pequena exceção: após afundar ambas, a Digital e a si mesma, a Compaq foi comprada por uma empresa bem mais expressiva, mas que até então não tinha muita penetração no mercado pessoal: a Hewlett-Packard. Aqui, entrou a experiência da organização (ao pé da letra); não eram tão representativos no mercado pessoal, mas tinham bom desempenho histórico em corporações, ambiente bem mais exigente... e não é que deu certo? Numa tacada de mestre, a HP sumiu com dois de seus maiores concorrentes (Compaq, no setor pessoal, e Digital, no corporativo), e assumiu com louvor suas vagas. O que difere do habitual é que a HP, aparentemente, aprendeu com as outras duas que comprou e melhorou tanto a linha corporativa quanto a pessoal, em que até então era quase exclusivamente conhecida como fabricante de impressoras. Que, aliás, são assunto de outro caso (o último, prometo).

Por anos, impressora a jato de tinta HP era sinônimo de "baratinha e fácil de usar"... mas para qualidade de impressão e/ou pouca dor-de-cabeça, o primeiro nome à cabeça era Epson; matricial ou jato de tinta, tanto fazia. Ou Canon (fora daqui); HP, só em casa e jato de tinta (ou laser em empresas), e Epson no resto. Até que a Epson viu um filão no mercado residencial. Com o aumento da capacidade dos computadores, passou a fazer o mesmo que a HP sempre fez: deixou o processamento dos dados de impressão para o computador, e não para a impressora (como era até então), ampliou absurdamente sua linha e reduziu o preço das impressoras (calando os argumentos anti-Epson). Com isso, criou impressoras baratas, mas descartáveis, e aumentou o dos cartuchos, pra compensar o prejú. Nunca vendeu tanto - e vende até hoje.

Do outro lado, a HP resolveu atacar o mercado corporativo de baixo custo (já tinha um baita mercado de impressoras a laser, mais caras) e contra-atacar a Epson. De repente, a resolução das DeskJets duplicou, triplicou, e a fidelidade de cores começou a dar o ar da graça (antes, era só a graça propriamente dita), ou seja, quebrou todos os argumentos anti-HP. Em compensação, os defeitos nunca foram tão freqüentes e os cartuchos, tão caros. Computadores nunca sofreram tanto para imprimir qualquer coisa nelas (qualquer impressora merrequinha gasta até 100MB de memória mesmo quando não se está imprimindo, mas quase ninguém percebe). E a HP, também, nunca vendeu tanta impressora.

Hoje, o litro de tinta (original) de impressora é um dos líquidos mais caros consumidos por pessoas comuns (proporcionalmente igual a um Johnnie Walker Blue Label), isso paga o prejuízo na venda de impressoras (sim, algumas são vendidas abaixo do preço de custo). É um dos motivos do tão ferrenho combate à pirataria de cartuchos. Mas todo mundo usa impressora a jato de tinta, mesmo uma laser monocromática (pouca gente precisa de cores) sendo pouca coisa mais cara e rendendo muito mais.

No fim, é como com humanos: vence quem sabe te passar a perna, fazendo-te pensar que estás no lucro, e qualidade é só um detalhe quase sem importância. Monitor Samsung sempre vendeu mais do que Sony, que vendia mais som e TV do que Panasonic e Mitsubishi (respectivamente); Asus sempre vendeu mais que Gigabyte, Tyan e AOpen; CCE sempre vendeu mais que Panasonic; e, por mais que falem e reclamem, Vista e Office ainda vendem mais do que qualquer programa decente (são tão bonitinhos...).

Aí vem o outro lado da moeda: tais empresas empregam milhões de pessoas pelo planeta, impulsionam a criatividade humana, levam entretenimento, conforto, fornecem comunicação, bolsas de estudo (com ou sem outros interesses), ferramentas de informação ou trabalho (direta ou indiretamente), e tantas outras coisas já essenciais ao mundo civilizado. No mínimo, servem de Goliases a tantos Davis que almejam derrubá-las, nem que seja para fazer melhor. Mas é muito mais difícil (estatisticamente) um Davi honesto, sincero e consciente crescer o suficiente para manusear uma funda do que cair e ser fagocitado ou corrompido pelo próprio gigante a que combate, a exemplo de Netscape, Apple, Sharp, Troller, Gurgel (que no fim estava certo, é só olhar o que vende hoje) e tantos outros. Parece mais provável que Golias seja derrotado não por um Davi, mas por um Golias Júnior, mais ágil e com melhor visão.

Ou seja, o pior de tudo é ficar com a impressão de que, de outro modo, o mundo não giraria.

2008/11/14

A difícil tarefa de comunicar-se... ¬¬

Conversa perdida nos logs do MSN:

Eu: bicho fio!

Eu: fio=feio

Eu: liga pra ieu!

[toca o telefone fixo do trabalho]

Eu: nu celulá!

[toca o cel, origem: casa]

Eu: du ceruláááááááá!!!

Irmã: já tentei

Eu: nah, cê tentou do fixo!

[2 minutos, duas ligações DO tel. fixo]

Eu: arô!

Irmã: tô tentando

Eu: não é do fícho, é DO cerula

[toca o celular; origem: casa (fixo)]

Eu: ô bicho surdo.

Eu: Xeu desenhar: liga DO teu celular PRO meu celular.

Eu: Assim, ó: XXXX-XXXX [cel. dela] -> YYYY-YYYY [meu cel]

Eu: sacou?

Irmã: ô trem besta

Irmã: eu liguei 4 vezes npo teu celular

Irmã: e nenhuma no trabalho

Eu: caramba, nem desenhando...

Eu: LIGA DO TEU CELULAR, E NÃO DO FIXOOOOOOO!

[toca o cel, origem (finalmente) do dela]

Eu: beleza, valeu.

Eu: ou seja, não deu certo.

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Sobre o que se tratava? Fácil: não faço a menor idéia.
Creio eu que estivesse tentando personalizar toques do novo palmtop.
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Conversa copiada e colada em 03/08/2005