Ainda refletindo sobre o assunto anterior (sim, me impressionou)...
Quando criança, costumava me pasmar com a coleção de discos do meu pai. Não apenas eu, todos os que a viam. Era uma coleção eclética, de Elomar ao Bebop, deMilton Nascimento a Alice Cooper, e ocupava, brincando, uns 6 metros em fila. Considerando que cada LP+embalagem tivesse 3mm em média, seriam cerca de 200 discos, espalhados em várias prateleiras.
Estendo, pois, ao leitor, o motivo de minha pasmação: passando todo o conteúdo dos LPs de meu pai, usando integralmente a qualidade de CDs atual, cabem cerca de 12 LPs em cada um daqueles cartõezinhos furrecas de menos de dois centímetros quadrados. Entenderam? 17 cartões absorvem os 200 LPs, e ainda com capas e encartes escaneados em alta resolução. Sem nem apelar para MP3.
Agora parem e pensem... imaginem 200 LPs enfileirados, um após o outro em um armário com 4 prateleiras de 1,5m. Ou uma única prateleira com 6m de comprimento, abarrotada de LPs. Visualizem o volume. Imaginem as prateleiras curvando-se, torcidas, ao peso de tanto disco. Enxergam?
Pois então imaginem todo esse volume e peso, toda a bagagem cultural, a representatividade de gerações, a diversidade sonora de todas essas prateleiras abarrotadas comprimidas até o tamanho de uma caixa de fósforos. Não de Fiat Lux com 300, nem mesmo São João de 40, e sim aquelas distribuídas em motéis, com 20 palitos ou menos. Pois é isso. Friamente.
É engraçado, muito engraçado. E não sei expressar o nó que me dá: a coleção de 200 LPs do meu pai, com quem dividi espaço por boa parte de minha infância, cabe numa miniatura de caixa de fósforos... e sobra espaço. E muito.

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